Sou um barco...

Sou um barco sem tripulantes,
Um barco que anda à deriva no alto mar...
Olho à minha volta e nada vejo,
Olho para o meu interior e vejo vazio...
Vejo escuridão,
Vejo gelo,
Vejo dor e vejo sofrimento...
Sou um barco à deriva...
As engrenagens do meu coração enferrujaram à custa de tantas lágrimas choradas.
O coração já não trabalha,
O barco já não anda...
Não há bóias de salvação nem botes salva-vidas...
Também, para quê?
Não há tripulação...
Só esta velha carcaça de barco carcomida pelas tempestades de desilusão e pelo mar bravio das lágrimas choradas...
Há mar e mar, há ir e voltar.
Para mim não há voltar...
Ou será que há? Será que vai aparecer alguém para me salvar,
Alguém que me conduza a porto seguro?
Recolho as amarras e reduzo-me à minha insignificância...
Uma onda atira-se contra mim...
Outra onda e ainda outra...
Sou um barco à deriva, à espera do inevitável:
O Naufrágio...

19/06/06
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