Foi breve o tempo de ilusão
Mas nesse curto período de tempo fui feliz.
Fui feliz porque sonhava.
Vivia num engano, é verdade, mas era feliz.
Ignorante, mas feliz...
Havia esperança
E enquanto há esperança um coração sonha...
Sonha desenfreadamente, sem limites nem preconceitos.
Agora a minha redoma de vidro partiu-se
E a verdade atingiu-me como mil lanças envenenadas.
Só choro, choro, choro...
Acordei do meu sonho de criança
E vi a verdade nua e crua.
Não sofro apenas por não me amares.
Sofro por não me amar de modo a ver que não em amavas,
Por não me amar o suficiente para que me ames.
Chove.
Chove por dentro e por fora de mim.
Apetece-me ir para a rua andar nua à chuva.
Para quê?
Para lavar de mim esta tristeza, esta mágoa e esta dor que me atormentam e não me deixam dormir à noite.
Fui feliz por breves instantes.
Era ignorante.
Mas agora sei: não me amas.
Dizem que o que não nos mata, torna-nos mais fortes.
Será?
Só se me tornar mais forte na minha insignificância,
Na minha falta de amor próprio.
Tenho amor para dar e vender.
Tenho... porque não me amo.
Quem amo não me ama,
É um ciclo vicioso.
Gosto de olhar para ti, apesar de não me amares.
Só de olhar para ti parece que o meu coração sangra menos...
Antes dizia que era uma borboleta e que ia voar para longe,
Para um sítio onde encontrasse alguém que me amasse...
Mas já dei a volta ao mundo,
As minhas asas estão frágeis
Já não consigo voar.
Desço à terra, tenho que ter os pés bem assentes no chão:
Não me amas.
E eu tenho amor que dá para os dois,
Basta quereres e voo novamente para ti...
28/01/07